quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

The Fundamentals of Caring - de Rob Burnett


The Fundamentals of Caring ou Amizades Improváveis, é um filme dirigido por Rob Burnett (que foi produtor executivo do Late Show with David Letterman) e estrelado por Paul Rudd, Selena Gomez e Craig Roberts, que está disponível no catálogo exclusivo de filmes da NetFlix. O filme é um tradicional Road Movie americano, que conta a história de Ben (Paul Rudd) e foca no momento que ele virou cuidador de Trevor (Graig Roberts), um garoto que sofre distrofia muscular e por isso mantém uma rotina rígida, mas que não destrói o seu humor afiado.

O filme é muito didático e competente em mostrar a rotina de uma pessoa com distrofia muscular. Embora ele tenha sérias dificuldades de locomoção, o cérebro não é atingido e a pessoa consegue sentir, pensar e interagir normalmente se estiver sendo bem cuidada. Em nenhum momento a narrativa dá alguma esperança de melhora dessa condição, por isso o foco da relação entre os dois sempre é a melhora do estilo de vida. A principal mensagem é mostrar que mesmo com a pior das dificuldades, se você não desistir, você consegue pelo menos alguma satisfação em viver.

Eu não vou comentar as condições financeiras que permitem o jovem alcançar esse objetivo, pois mesmo que o filme mostre o carro adaptado, o poder de comprar de inúmeros remédios e os equipamentos que permitem a locomoção e frear os efeitos da doença, esse não foi em nenhum momento o foco do filme, que só quer mostra que se você tem alguma condição mínima de sobrevivência, então é possível sim ser feliz e com algum esforço, é até possível realizar alguns dos seus sonhos.

The Fundamentals of Caring é um drama um pouco raso com pontos de comédia bem divertidos. Paul Rudd em trabalho e trabalho consegue mostrar uma evolução de seu talento, e a cumplicidade entre ele e Graig Roberts é o ponto forte do filme, que te faz importar com os personagens entre uma risada e outra, ou entre uma dificuldade e outra. Selena Gomez não foi o grande destaque, mas conseguiu entregar uma personagem que penetra na relação dos dois, sem parecer forçado, e ainda consegue entregar alguns bons momentos, principalmente quando o filme mostra o carinho que sua personagem desenvolveu com Trevor.



O filme é perfeito para aquele fim de semana chuvoso, onde tu sentas no sofá para se divertir vendo um bom filme, que é fácil de assistir, enquanto está comendo uma pipoca e bebendo um copo de guaraná. 



Texto: Leandro Ferreira
Disponível no catálogo Netflix


Playlist do documentário A 13ª Emenda

O Documentário A 13ª Emenda tem uma trilha sonora poderosa, que ajuda a contar a história no filme. Abaixo você pode assistir algumas das trilhas que estão nesse excelente filme. 

Abaixo da playlist, você encontra a lista de canções.



  • Work Song, performance Nina Simone
  • Reagan, performance Killer Mike
  • Don't Belevie the hype, performance Public Enemy
  • Behind enemy lines, performance Dead Prez
  • There's a man going round talking names, performance Jason Maran and Lawrence Brownllen
  • Last Words, performance Nas
  • Criminal, performance The Roots
  • Chains, performance Usher

A 13ª Emenda - de Ava DuVernay



13ª Emenda é um documentário dirigido por Ava DuVernay, que questiona toda uma estrutura de sociedade dos Estados Unidos. O filme apresenta um ponto de vista claro, que com fatos, esclarece a sua opinião e consegue entregar fatos tão reveladores, que quando ele mostra uma opinião contrária, você percebe sem dificuldade, o quanto o contra argumento é fraco. A premissa é fácil de entender, a 13ª emenda destruiu a escravidão que existia nos Estados Unidos naquela época, mas ao mesmo tempo criou um novo tipo de escravidão. Para apresentar esse argumento, eles mostram a emenda.

A 13ª Emenda diz:
Seção 1Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado.
Seção 2O Congresso terá competência para fazer executar este artigo por meio das leis necessárias.

A parte em negrito é a parte em que o filme mais foca. O filme traça uma linha do tempo do governo Lincoln até o governo Obama, e destaca fatos históricos como o filme “O nascimento de uma Nação”, a segregação racial, a luta pelos direitos civis, A Lei e Ordem de Nixon, o governo de Ronald Regan e os três strikes de Clinton, dentro de uma edição excelente, que usa a trilha sonora, imagens históricas e vídeos famosos nas transições para entregar um exemplo visual, do que os especialistas estão retratando na narrativa.


O filme é bem claro e te obriga a ter uma inevitável reflexão, pois com fatos claros, que não abrem espaço para questionamentos de fontes, se torna o maior destaque do ano até agora para mim.



Texto: Leandro Ferreira

Disponível no NetFlix

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A Grande Aposta - De Adam McKay

O filme é baseado em fatos reais e expõe pessoas reais. Ele mostra desde o início a causa da crise de 2008, mas se concentra no momento que é descoberto a bolha das hipotecas americanas, e em sequência, ele apresenta quatro personagens centrais que vão sustentar a narrativa e explicar didaticamente tudo o que está acontecendo. Steve Carrell, Brad Pitt, Christian Bale e Ryan Gosling são os atores que encenam os quatro personagens centrais da trama, e cada um vai trazer uma visão distinta do que aconteceu para ilustrar a catástrofe que foi a crise, que acabou com o lar de milhares de americanos e o emprego de milhões de pessoas pelo mundo.

O filme acerta muito bem ao separar a trama nesses quatro personagens. A personalidade e ambições distintas deles mostram um lado bem ilustrativo dos fatos, e o diretor acerta em alguns flashbacks e quebras para explicação. Eu particularmente gostei muito de uma quebra onde ele explica CDO com um famoso chefe de cozinha através das sobras dos peixes. O diretor também acerta bastante no ritmo da narrativa, que mesmo com um conteúdo vasto de explicações, não torna o filme cansativo.

A atuação dos quatro principais também é de se destacar, a construção de Brad Pitt é ótima e combina bastante com os dois atores que são seus pupilos. Steve Carrell ganha destaque com seu temperamento, ele tenta mostrar o tempo todo como são desprezíveis as pessoas com quem ele trabalha, para não ter que pensar que ele é tão desprezíveis como elas. Christian Bale se destaca pela complexidade de seu personagem, que de longe é o mais difícil dos quatro, tanto que uma das decepções foi justamente a falta de tempo que o ator teve para desenvolvê-la.  Ryan Gosling faz a vez do narrador e é o responsável pelas quebras da quarta parede. Seu jeito canastra caiu como uma luva para chamar a nossa atenção quando o filme precisava fazer alguma explicação mais complicada.

Mas foi justamente com alguns desses acertos que o diretor mais me incomodou. Tendo uma história fantástica, atores afiados e ideias muito boas, ele para mim pecou no excesso. A quarta parede estava ótima com Ryan Gosling, mas o uso de outros personagens nessa técnica me incomodou bastante, ainda mais, pois veio sem um padrão. Decepção foi Igual com os flashbacks, que foram muitos e até apelativos, como a do personagem do Steve Carrell com seu irmão. As quebras foram feitas em bons momentos, mas se estendeu no da Selena Gomes ou distraiu demais a explicação, como com da Maggie Robbie.

Mas o que mais me incomodou, foi a tentativa exagerada de ser um Lobo de Wall Street, mas sem a coragem que Scorsese teve. Em O Lobo de Wall Street, Scorsese escolhia um limite aceitável para destruí-lo e assim mostrou quem era o Lobo, como ele pensava e como ele foi capaz de chegar onde chegou. Em A Grande Aposta o limite era destruído para criar uma oportunidade para desculpas e condenações. Uma cena que mostra bem isso é o do personagem de Steve Carrell num cassino com um empresário, Carrell o condenava e o empresário se divertia. O empresário se diverte porque não entende a condenação, pois o personagem de Carrell é igual se não for pior.



A Grande Aposta é um filme dirigido por Adam McKay, (que tem bons trabalhos em “O Âncora” e em “Homem Formiga”). Mesmo com um diretor vindo de bons trabalhos de comédia, o filme vive momentos de comédia, mas é entregue como um drama, que bebe da fonte do feroz “O Lobo de Wall Street”, mas não tem a mesma vitalidade e coragem.



Texto: Leandro Ferreira
Disponível na NetFlix

Spotlight Segredos Revelados - de Tom McCarthy


Spotlight: Segredos Revelados conta uma história brutal, que é uma história real. Em 2002 o jornal Boston Globe iniciou uma série de publicações que denunciava a proteção que a igreja católica americana fazia para padres pedófilos e estupradores. As publicações foram bastante completas e esclarecedoras, e mostravam como a igreja católica atuava para proteger padres criminosos e o porquê os protegia, além de expor o poder e a influência que a igreja exercia em Boston, para conseguir acobertar escândalos, mesmo com milhares de vitimas, que essa proteção desprotegeu por anos.

Em 2003 o jornal ganhou o prêmio Pulitzer na categoria de Serviço Público, pois o seu trabalho acabou criando mudanças reais, na igreja católica americana, que acabou expondo erros da igreja até em outros países.

Em cima dessa história brutal e real, o diretor Tom McCarthy dirigiu e roteirizou (com Jason Singer) o filme, que venceu o Oscar de melhor longa metragem e de roteiro original na premiação de 2016. Primeiramente, o filme deve ser encarado como um serviço público, e como um serviço público, o diretor montou e roteirizou essa obra. Tudo foi muito bem explicado, mas em nenhum momento ele precisou apelar para explicações cansativas dentro de falas do roteiro, tudo estava no dia a dia dos personagens, ou seja, tudo foi explicado dentro de suas rotinas.

Usando um elenco de grandes atores, com construções de personagens fantásticas, o filme se construiu em cima da rotina, logo depois que fomos apresentados ao Spotlight junto com novo redator do jornal, que veio de Miami. Junto do novo redator, vimos que Spotlight é um departamento destacado do jornal, que de forma sigilosa e independente, escolhe um tema de investigação que vai trabalhar como um serviço público para cidade, mostrando corrupção e outros tipos de crimes, que andam despercebidos na cidade. A chegada do novo redator, que coincidiu com um tempo ocioso do departamento, trouxe um olhar “estrangeiro” para a nova pauta a ser trabalhada, que não passava pelo radar do departamento, pois a influência da igreja era tão grande, que cegava o olhar crítico dos jornalistas, e mesmo com várias dicas de corrupção, eles nunca pensaram que dali podia sair algo que valia ser investigado.

A rotina é a decisão de narrativa brilhante, pois traça em uma linha do tempo contínua, que nos mergulha dentro da vida dos jornalistas (Católicos ou de criação católica) e suas investigações, que acabaram mostrando o poder diabólico e devastador que a proteção da igreja criou nas vidas das vitimas. O filme foi certeiro em não poupar detalhes, mostrando fatos e expondo os dois lados, da vitima e da igreja.



Assim o filme entregou a verdade, sem sensacionalismo, sem amenizar ou aumentar fatos e sem criar heróis e vilões. A verdade foi forte o suficiente para chocar e foi forte o suficiente para passar a mensagem, mesmo que saibamos que tem gente doente o suficiente para não se importar com ela.



Texto: Leandro Ferreira
Disponível na HBO GO

Os Oito Odiados - de Quentin Tarantino

Ao ver um filme de Quentin Tarantino, a minha expectativa é ver violência e sangue, muito sangue. Para quem não conhece a sua filmografia, eu sugiro ver pela ordem de lançamento. Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill Volume 1, Kill Bill Volume 2, Bastardos Inglórios e Django Livre, até finalmente chegar em Os Oitos Odiados. Ao assistir a evolução de Quentin Tarantino como diretor, você vai acompanhar em capítulos, todos os elementos que o fazem ser tão cultuado no ramo. Suas referências à cultura POP, os elementos semelhantes de todos os seus roteiros e principalmente as homenagens que ele sempre presta aos seus ídolos.

Como um bom livro, ele divide a narrativa em capítulos e conta essa história bem devagar, apresentando personagens, desenvolvendo as possibilidades, criando o clima de suspense e lentamente, mas bem lentamente, ele vai cativando a sua imaginação, diminuindo a respiração e aumentando a concentração, para entregar de forma bruta o que você mais deseja.

Sua equipe escolhe a dedo o elenco, cada ator sabe exatamente o que fazer para entregar o que ele precisa. As trilhas de seus filmes são sempre um ponto forte, mas essa é especial. A trilha sonora atirou certeira no alvo, como deve ser feito em um bom faroeste (realizada pelo gênio Ennio Morricone), ela é impossível de se passar despercebida e perfeita para criar o suspense, com a ajuda da edição e fotografia, ela irá explorar a sua capacidade de imaginação, pois o filme se divide em detalhes, e cada detalhe trás mil possibilidades. Nenhuma parte técnica não tem destaque, todas ajudam a contar uma história específica, que no final, te deixarão com um sorriso de satisfação no rosto, afinal, você acabou de assistir mais um brilhante filme do genial Quentin Tarantino.


Você sempre pode não gostar do estilo, mas nunca vai poder ignorar o talento.




Texto de Leandro Ferreira
Disponível na NetFlix